terça-feira, julho 29, 2008

Libertos

Olá, chamo-me Salomé. Obrigada pelo convite, César.

Um pequeno contributo para o que entendo ser o sentimento de arte.


Num combinar astuto de referências
abriram-se os portais
e despediram galopes

os animais libertos
das tecidas mansões.



Excerto (ligeiramente alterado) de Fátima Maldonado sob Cavalaria Vermelha de Malevich.

segunda-feira, julho 28, 2008

"Se chegar lá de noite, montarei acampamento."



















Filme: 'Le Graine et le mulet"

(título: Gonçalo M.Tavares)

quarta-feira, julho 23, 2008

uma certa falta de coerência

“A Certain Lack of Coherence” é o titulo de um livro de Jimmie Durham composto por textos e crónicas dos anos 70 e 80s que apela à união de forças dos índios no combate de alguns mitos construídos pela cultura Ocidental sobre a noção de outro, exótico ou primitivo. Para Jimmie Durham a arte e as suas instituições são inseparáveis da realidade politica. Neste volume encontram-se publicados os textos “Artists must begin helping themselves” (os artistas devem começar a entreajudarem-se) e ”Interview with a 10,000 year old artist” (entrevista a um artista com 10000 anos) – textos que questionam o papel e o modelo de artista.

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“Uma certa falta de coerência” define-se como um espaço gerido por artistas para apresentação e discussão de projectos em torno da arte. Este projecto surge na linha de outros de carácter semelhante que têm existido no Porto e da sua continua necessidade.

“Uma Certa Falta de Coerência” ocupa o número 77 da Rua dos Caldeireiros. No mesmo espaço já existiu uma casa de pasto, uma loja de indianos e um coleccionador de esferográficas tentou montar um estabelecimento comercial. No fundo desta rua estreita da malha histórica do Porto, o sol mal entra e os elevados níveis de humidade são uma constante durante o ano. As condições para a preservação da Arte e de obras de arte são as mais adversas. Sabemos também que ambientes adversos à arte são estimulantes.

No número 213 da mesma rua, existiu entre 1999 e 2001 a Caldeira 213 –um projecto fundamental para a constituição de um circuito de espaços independentes no Porto. O objectivo deste projecto não é celebrar ou evocar a história recente da cidade, mas o regresso das actividades artísticas à rua dos Caldeireiros faz-nos pensar num sentido cíclico e na necessidade de lhe dar continuidade. Passaram quase dez anos.

Os espaços independentes tem períodos de vida curta e intermitentes, adaptando-se às possibilidades de quem os gere e dos lugares que ocupam. O recente enfraquecimento ou fim da actividade de alguns destes espaços trouxe um afastamento involuntário dos seus frequentadores. Somos levados a questionar a ideia de comunidade. Um perigoso descuido colectivo poderá deitar a perder todo o empenho na construção de uma comunidade com existência real e sentido. O continuo não pode ser substituído pelo esporádico.

Este projecto surge na urgência de dar continuidade à formalização de uma comunidade, e o seu principal objectivo é estimular o encontro e o confronto entre os interessados em torno de propostas artísticas e com vontade de questionar e experimentar-se.


A COMUNIDADE E O PÚBLICO

Por cá, o estatuto de artista, organizador, produtor, comissário, crítico e público vai rodando pelos vários membros de um pequeno grupo de pessoas. Pensa-se a ideia de micro-comunidade e questiona-se o fechamento sobre si mesmo destes grupos.
Às questões “Quem é o público destes espaços? E quantos são?” responde-se com a escala da cidade e com a fraca circulação nacional e de públicos. O projecto reflecte a teimosia em aceitar a estagnação geral que a cidade e o país sofre. Este projecto faz parte de um processo continuo, que ocupa espaço e tempo. Insistindo como quem treina e pratica, “Uma certa falta de coerência” propõe uma discussão da Arte e do Real no espaço físico e real.

As condições são adversas. Ninguém deve nada a ninguém. Faz-se por que se quer e para quem quer.

ESTE ESPAÇO É PARA TODOS

O projecto “Uma certa falta de coerência” quer testar outro modelo, que não sendo novo ou original tenta ser uma solução e um teste à ideia de comunidade artística.

O projecto “Uma certa falta de coerência” é de todos os que dele queiram fazer parte.
Pensamos a possibilidade de distribuir custos, trabalho e responsabilidades:
UCFC tem como objectivo propor diferentes olhares, diversidade de programação e a construção de uma rede de relações para além dos limites da amizade e da geografia.

- A responsabilidade de programação, ou comissariado, será entregue a um(a) convidado(a) (individual ou grupo) que deverá propor um conjunto de três exposições ou eventos de sua inteira vontade. Queremos a colaboração de quem estiver pronto a ajudar. A programação será uma responsabilidade distribuída.

- A renda de cento e setenta e cinco Euros e outros custos poderão ser distribuídos por quem estiver pronto a ajudar. São aceites donativos e será sorteado regularmente uma obra doada. Propomos uma venda de cinquenta senhas a cinco euros cada.

-O espaço e os projectos poderão ser visitados no dia de inauguração e durante os Sábados de tarde, das 15h30 às 19h30. Também podem ser feitas visitas por marcação. Num regime de pro-voluntariado a abertura e vigilância do espaço poderá ser distribuída rotativamente, em troca de uma senha.

-O espaço não tem actividade comercial.

UCFC é um espaço que não quer existir para sempre do mesmo modo que a coerência também não é para sempre.

André Sousa - Mauro Cerqueira

terça-feira, julho 15, 2008

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sexta-feira, julho 04, 2008

domingo, junho 15, 2008

blindness VII























'Blind Boy, Who Lost His Arms in the War, Reading with His Lips'
1948 ... David Seymour








Partindo da biblioteca de Martha Rosler (MR), reunir-se-á na Galeria Plumba uma biblioteca de livre consulta. Uma biblioteca real e “pronta-a-usar”, e não uma “biblioteca-objecto”. Ao contrário do projecto de MR que citamos, não se tratará de uma biblioteca pessoal, construída, ao longo dos anos, por uma só pessoa. O nosso objectivo anda mais pelas bandas de Jorge Luis Borges, a busca de uma biblioteca ideal. Esta será constituída por livros emprestados por amigos, uma grande biblioteca “emprestada”. A construção da exposição consistirá em ir de casa em casa (de amigos) e pedir livros emprestados com o objectivo de reuni-los num mesmo local para que possam ser lidos e livremente consultados. Pretender-se-á, dentro do possível, abarcar os vários domínios das artes, das letras e das ciências como qualquer biblioteca ambiciosa.Mas como será uma biblioteca reunida desta maneira? feita de fragmentos de fragmentos? a que conclusões se poderá chegar? que discurso se poderá construir? Uma escolha bibliográfica poderá ser considerada, em si mesma, um discurso? uma afirmação? ou, pelo contrário, uma diluição? Que conclusões se poderão tirar de uma determinada selecção poética, por exemplo? A Galeria estará portanto, transformada numa pequena sala de leitura, agradável, confortável, pública, com uma boa porção de livros, escolhidos a dedo. A nossa biblioteca ideal entre o possível da nossa matéria-prima bibliográfica de amigos. Tudo fará parte do processo e da obra, a biblioteca será a possível depois de mil discussões, como sempre acontece. Os critérios para a selecção dos livros? Uma síntese das nossas próprias escolhas pessoais, nos vários domínios, uma escolha nossa dos livros dos outros. Esse seria, afinal, o “discurso”, que se pretende testar e partilhar.Uma proposta de “filtro” para o caos, para a massiva produção e difusão de conhecimentos, neste caso, via indústria livreira.

angelo ferreira de sousa
carlos barros
BIBLIOTECA PUBLICA
14 junho - 12 de julho 2008
Plumba-arte comtemporanea
r.adolfo casais monteiro, 16 /porto

quarta-feira, junho 11, 2008

terça-feira, junho 03, 2008

domingo, junho 01, 2008

blindness VI

"Why would a blind man want to wear transparent eyeglasses? Why would he wish to walk the streets of Paris dressed in the same black hat, cape and red scarf worn by Aristide Bruant as depicted by Toulouse-Lautrec? Why would he want to risk speaking on a radio program about paintings which he has never actually seen? And why would he desire to take photographs?"
Evgen Bavcar . . .

sexta-feira, maio 30, 2008

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A C ack of ence
de
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Renato Ferrão
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a partir das 22h
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lançamento do livro:
O Passeio – outras estórias
de
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Rui A. Ribeiro (edições 50Kg)
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no
Uma Certa Falta de Coerência
até 29 de Junho
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terça-feira, maio 27, 2008

segunda-feira, maio 26, 2008

quinta-feira, maio 22, 2008

aqui o SNI

Fica bem essa fraqueza, fica bem, que o povo nunca a desmente. A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente. É uma casa portuguesa, com certeza! É, com certeza, uma casa portuguesa!
























nessa altura quais eram as suas referencias artisticas?


vou dizer uns nomes, mas digos sempre diferentes, tanto faz. há dias que acordo mais para o bruce neuman, outros para a louise bourgeois e outros para o rembrandt, depende do dia. nao tenho a particularidade de me identificar com uma corrente artistica.


considera que o legado de marcel duchamp e da pop art tem uma influencia importante na sua obra?


tem uma influencia importante como tem rubens, por exemplo. depende de onde se coloca o ponto da questão. a pintura é uma coisa que me influencia muito, e o desenho tambem. estudei desenho sete anos. a pintura o desenho a forma como se observa, como se olha, a maneira como se representa sao coisas muito particulares na minha obra e que tem a ver com a pintura classica. claro que marcel duchamp é uma personagem importantissima, mas há uma grande parte da obra dele com a qual nao me identifico nada.


Ncontrast e joana vasconcelos, 2008

domingo, maio 18, 2008

blindness V

"Be surprised and wait, Blind yourselves and be blind; They become drunk, but not with wine, They stagger, but not with strong drink. For the Lord has sent on you a spirit of deep sleep; and by him your eyes, the prophets, are shut, and your heads, the seers, are covered." Isaiah, 29:9-10
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Erwin Olaf, from series Chessmen / Squares, 80's .